Dra. Marieli Nimtz

Por que me tornei geriatra?

10 dezembro, 2025

Entrei na faculdade de medicina com uma ideia fixa: eu queria salvar o mundo. Pode soar ingênuo, mas era exatamente isso. Eu desejava fazer diferença na vida das pessoas, e não me via fazendo outra coisa. Foram dois anos de tentativa até conquistar a vaga, mas nunca houve dúvida sobre o caminho.
Durante a graduação, flertei com várias especialidades. Pensei em ginecologia, endocrinologia, cardiologia... Mas geriatria? Essa sequer passava pela minha cabeça.
O curioso é que, ao passar pelas áreas, fui percebendo algo fundamental sobre mim.
Na cardiologia, senti que eu cuidava apenas do coração e... com todo respeito aos colegas, eu queria cuidar do todo.
Na endocrinologia, especialmente em um hospital super especializado, me perdi entre tantas subdivisões. Eu sonhava com um atendimento amplo, integrado, que enxergasse o paciente como um universo completo, e não como um conjunto de sistemas isolados.
Foi só quando cheguei à geriatria que tudo fez sentido. Ali, eu finalmente me encontrei.
Percebi que quase todas as queixas, dúvidas e demandas podiam ser acolhidas por um único especialista. A consulta era ampla, profunda, conectada. Eu podia ser a médica do paciente, aquela referência que acompanha, que entende o contexto, que vê além do sintoma e além da doença.
Ainda carrego uma paixão platônica pela psiquiatria / psicologia também. Essas áreas atravessam meus atendimentos, enriquecem minhas escutas e me aproximam ainda mais do que realmente importa: a experiência humana do adoecer e do envelhecer.
Hoje, na prática, encaminho para subespecialidades sempre que necessário. Mas faço isso mantendo proximidade, parceria e coordenação. Porque meu papel é centralizar o cuidado, integrar informações e ser o ponto de referência quando algo sai do habitual.
Foi assim que escolhi a geriatria.

 

A partir de que idade devo procurar um geriatra?

9 dezembro, 2025

            Essa é uma pergunta que escuto com frequência no consultório e nas redes, e a minha resposta costuma surpreender: acredito que a partir dos 40 anos já é um excelente momento para procurar um geriatra.

Explico por quê:
Eu enxergo a vida em ciclos. Até os 20 anos, somos quase indestrutíveis: viramos noites, bebemos demais, comemos o que aparece, mal fazemos exercícios e, ainda assim, dormimos bem, rendemos no trabalho e não sentimos absolutamente nada no dia seguinte.
Dos 30 aos 40, começamos a colher o que plantamos. Já existe cansaço quando o sono falha, a ressaca aparece com força, o corpo muda se não nos movimentamos, e percebemos que a vitalidade deixa de ser algo automático.
E a partir dos 40, mesmo com disciplina e cuidado, sentimos o peso dos anos. Não no sentido negativo mas como um alerta claro de que o corpo cobra as escolhas feitas (até mesmo as de antes dos 30). É nesse momento que entendemos, de forma madura, o valor de um estilo de vida saudável, estruturado e intencional.
Por isso, o acompanhamento com um geriatra nessa fase não é “cedo demais”; é estratégico. É preventivo. É inteligente.
É a chance de construir, agora, a saúde que você quer ter aos 60, 70, 80 ... vivendo de forma ativa, funcional e independente.
A geriatria não é apenas para quem já está envelhecendo de forma vulnerável.
Ela é, acima de tudo, para quem quer chegar bem lá na frente.

 

Minhas Consultas Online

9 dezembro, 2025

     Quando penso na minha história com o atendimento online, ela inevitavelmente começa na pandemia. Até então, eu nunca tinha feito uma consulta pelo computador, muito menos por uma chamada de vídeo no WhatsApp.

     Naquele período, fiquei em casa com meus filhos e fechei completamente o ambulatório. Eu atendia em um hospital público, que, na época, transformou todos os seus espaços em áreas dedicadas à COVID. E eu simplesmente não poderia expor meus pacientes idosos àquele ambiente.
Foi assim que tomei a decisão de abrir meu WhatsApp para todos eles. Ali começaram as primeiras dúvidas, pequenas orientações e, pouco a pouco, as consultas remotas. Também iniciei atendimentos em uma plataforma digital, o que ampliou meu alcance: hoje acompanho pacientes que vivem em lugares dentro e fora do Brasil, há mais de cinco anos nesse formato.
É claro que nada substitui completamente o exame físico, o toque, o olhar atento no consultório. Mas descobri algo precioso: a consulta online pode ser profundamente humana.
Eu gosto de conversar com calma. Ouço com atenção verdadeira. E só encerramos quando existe, de fato, um plano terapêutico claro, todas as queixas foram elaboradas e o paciente se sente compreendido e orientado.
Com esse cuidado, o teleatendimento deixou de ser apenas uma alternativa emergencial e se tornou uma forma consistente e acolhedora de fazer medicina. Uma medicina que atravessa distâncias, sustenta vínculos e oferece suporte real, onde quer que o paciente esteja.

 

Sobre mim...

2 dezembro, 2025

Sempre quis ser médica e sonhava em fazer diferença na vida das pessoas. Durante a graduação e a residência, percebi que muitas vezes chegávamos “atrasados”, apenas remediando anos de maus-tratos ao corpo e ao estilo de vida. Isso me motivou a me especializar em Promoção da Saúde pela USP e a aprofundar meus estudos em Nutrologia.


Com base em evidências científicas e guiada pela visão da Geriatria, encaro a prática clínica como um processo educativo: ajudo cada paciente a entender o melhor caminho para alcançar uma longevidade ativa, funcional e independente.