Quando penso na minha história com o atendimento online, ela inevitavelmente começa na pandemia. Até então, eu nunca tinha feito uma consulta pelo computador, muito menos por uma chamada de vídeo no WhatsApp.

     Naquele período, fiquei em casa com meus filhos e fechei completamente o ambulatório. Eu atendia em um hospital público, que, na época, transformou todos os seus espaços em áreas dedicadas à COVID. E eu simplesmente não poderia expor meus pacientes idosos àquele ambiente.
Foi assim que tomei a decisão de abrir meu WhatsApp para todos eles. Ali começaram as primeiras dúvidas, pequenas orientações e, pouco a pouco, as consultas remotas. Também iniciei atendimentos em uma plataforma digital, o que ampliou meu alcance: hoje acompanho pacientes que vivem em lugares dentro e fora do Brasil, há mais de cinco anos nesse formato.
É claro que nada substitui completamente o exame físico, o toque, o olhar atento no consultório. Mas descobri algo precioso: a consulta online pode ser profundamente humana.
Eu gosto de conversar com calma. Ouço com atenção verdadeira. E só encerramos quando existe, de fato, um plano terapêutico claro, todas as queixas foram elaboradas e o paciente se sente compreendido e orientado.
Com esse cuidado, o teleatendimento deixou de ser apenas uma alternativa emergencial e se tornou uma forma consistente e acolhedora de fazer medicina. Uma medicina que atravessa distâncias, sustenta vínculos e oferece suporte real, onde quer que o paciente esteja.